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Apesar da pressão popular, vereadores de Mirassol D’Oeste aprovam “verba extra” de R$ 4,4 mil


População lota Câmara e protesta contra o novo benefício; mesmo assim, proposta é aprovada por unanimidade e pode custar mais de R$ 2 milhões aos cofres públicos.

Apesar da pressão popular, vereadores de Mirassol D’Oeste aprovam “verba extra” de R$ 4,4 mil

Mirassol Urgente

Ignorando a indignação popular e os protestos que tomaram conta da Câmara Municipal, os vereadores de Mirassol D’Oeste (a 329 km de Cuiabá) aprovaram nesta segunda-feira (12) a criação de uma verba indenizatória de R$ 4.450 mensais para cada um dos 11 parlamentares. A aprovação aconteceu por unanimidade, em votação única, sob olhares atentos de uma população que compareceu em peso para demonstrar insatisfação.

O projeto, elaborado pela própria Mesa Diretora da Casa, gerou revolta entre os moradores ao ser encarado como um privilégio desnecessário, especialmente em um momento em que o município enfrenta desafios sociais e econômicos. Mesmo assim, nenhum vereador votou contra a proposta, o que gerou ainda mais críticas nas redes sociais e entre lideranças comunitárias.

Atualmente, cada vereador recebe R$ 7.445,83 de salário. Com a nova verba, os vencimentos indiretos ultrapassarão R$ 11 mil mensais. O presidente da Câmara, que já ganha R$ 9.818,46, também terá direito ao benefício. A previsão é de que a medida custe aos cofres públicos cerca de R$ 2,3 milhões até o fim do mandato atual.

A justificativa apresentada pela Câmara é de que a verba irá substituir o sistema de diárias utilizadas para cobrir despesas com deslocamentos. No entanto, o texto aprovado não estabelece critérios detalhados de controle ou transparência sobre o uso desses recursos — um ponto que preocupa entidades fiscalizadoras e a própria população.

Outro ponto controverso é a restrição ao uso de veículos oficiais: apenas os parlamentares que optarem pela verba não poderão usá-los, enquanto o presidente da Casa continuará com acesso livre à frota.

O projeto agora segue para sanção do prefeito municipal, que terá a oportunidade de ouvir os apelos da população e vetar a medida. Caso contrário, a Câmara passará a contar com um dos maiores auxílios legislativos proporcionais da região, bancado com recursos públicos e aprovado sem qualquer resistência interna.